Saúde

Goiânia sedia 2º Encontro Goiano de Autismo

Evento será realizado entre os dias 5 e 8 de abril, com workshops e participação de conferencistas goianos e de outros estados

Neuropediatra Hélio van der Linden Júnior

Disseminar informações seguras e importantes sobre um dos transtornos do neurodesensenvolvimento que mais têm aumentado a prevalência no mundo todo. Esse é um dos objetivos do 2º Encontro Goiano de Autismo, que será realizado em Goiânia, entre os dias 5 e 8 de abril. A iniciativa é fruto de parceria entre o Instituto Goiano de Análise do Comportamento (Igac), o Centro de Intervenções e Estudos Neuro Comportamentais (Ciec) e o neuropediatra Hélio van der Linden Júnior.

O evento será dividido em dois momentos: workshops e palestras – estas ocorrerão no Auditório Jaime Câmara da Câmara de Goiânia. Toda a programação foi pensada levando-se em conta o público alvo do encontro: pais e familiares de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA); além de profissionais e estudantes das áreas de Saúde e Educação, como médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, pedagogos, educadores físicos, entre outros. As inscrições podem ser feitas pelo email [email protected]com ou pelo telefone (62) 3223-9896. Há informações disponíveis também nas redes sociais: www.facebook.com/EncontroGoianoAutismo e www.instagram.com/encontrogoianoautismo.

“O critério de escolha dos palestrantes foi que trouxessem temas atuais e pertinentes tanto a profissionais quanto para os pais”, destaca uma das organizadoras, a psicóloga Leana Bernardes. “Teremos vários convidados de fora do Estado também, como São Paulo e Alagoas, com consolidação do trabalho no cenário nacional. Nossa orientação é para que os palestrantes utilizem uma linguagem mais acessível, principalmente quando forem falar de um assunto técnico, para que todos possam entender de forma mais clara”, complementa o médico Hélio van der Linden Júnior.

De acordo com a diretora do Ciec, neuropsicóloga Raquel Borges Magalhães, entre os temas que serão discutidos estão diagnóstico precoce, autismo na vida adulta, psicomotricidade, inclusão, legislação, pesquisas recentes em genética e sobre a Análise do Comportamento Aplicada (ABA). “A terapia ABA apresenta mais de 50 anos de pesquisa científica contínua com resultados mensuráveis e efetivos no tratamento de pessoas com autismo”, pontua.

As inscrições para cada um dos workshops é R$ 120. Para os dois dias de conferência, o valor único é de R$ 150. Estudante e grupos de dez pessoas têm desconto nas palestras: a inscrição, neste caso, cai para R$ 130. O evento será encerrado no dia 8, sábado, com a presença de Nicolas Poppe (jovem de 25 anos com TEA) e sua mãe (Flávia Poppe), que vão falar sobre moradia independente. Os dois participaram recentemente dos programas Encontro com Fátima Bernardes e Fantástico, da Rede Globo.

Números
A prevalência de casos de autismo tem aumentado de forma rápida nos últimos anos, o que acendeu sinal de alerta da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Associação Americana de Psiquiatria. A última pesquisa do CDC (Center of Diseases Control and Prevention) – órgão norte-americano próximo do que representa, no Brasil, o Ministério da Saúde – mostrou que, nos Estados Unidos, há um autista para cada grupo de 45 pessoas. Os dados foram divulgados em 2015. Em 2014, o mesmo órgão, embora com metodologia diferente, publicou um estudo com a proporção de 1 a cada 68. As estimativas já apontam para 70 milhões de pessoas com autismo no mundo; dois milhões somente no Brasil.

Popularmente conhecido como autismo, o Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento, caracterizada por déficits na comunicação e interação social e também por comportamentos repetitivos e estereotipados. Antes dos três anos de vida já podem ser observados alguns sinais, como alterações no sono, aversão ao contato físico, dificuldade de olhar nos olhos, não responder quando chamado pelo nome, não imitar gestos (como bater palmas, acenar ao se despedir), dificuldade de interação com crianças, entre outros. Se desconfiados, os pais devem relatar suas dúvidas ao pediatra.